Edição I - Quebrar o Ovo
Algumas práticas não esperam permissão para ocupar o espaço. Elas aparecem nas frestas, nos terrenos abandonados, nos interstícios do que foi declarado impossível, e começam a fazer mundo a partir daí.
A ilustração crítica é uma dessas práticas. E é um momento de ruptura.
A CISCA Summer School reúne, na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, durante três dias de julho de 2026, artistas e pesquisadores que confiam que uma imagem pode ser um modo de conhecimento, uma forma de habitar o território, uma maneira de convocar o que os regimes dominantes foram desenhados para apagar disrupções. Não como manifesto, mas como prática coletiva e situada, feita de encontros, de materiais concretos e de perguntas que aparecem quando se faz junto.
O programa é gratuito. As vagas são limitadas.
Ovo-Pele: Oficina de Objetos Poéticos
Oficina I: 14 JUL 10h
Oficina I: 14 JUL 10h
O ovo é uma superfície sensível. Uma forma que guarda, que protege, mas que pode partir.
Nesta oficina, gesso e letras de macarrão tornam-se materiais de escrita. Os participantes construirão pequenos objetos escultóricos ovais onde palavras saem do papel para ocupar o corpo da matéria. O que se inscreve, o que fica visível, o que desaparece no processo fará parte da obra.
A sessão parte das relações entre palavras, memórias e fragilidades, propondo a escultura como forma de presença e não apenas de representação. Cada participante levará consigo o objeto produzido.
Mediação:
João Cóser (Vila Velha/Espírito Santo/Brasil, 1990) é artista queer e pesquisador. A sua prática atravessa a fotografia, o vídeo, a performance, a instalação, o objeto e a escrita poética, tomando o corpo como território simbólico, a memória como matéria e o gesto como dispositivo de escuta e criação partilhada. É doutorando em Artes pela Universidade Federal do Espírito Santo com estágio de doutoramento sanduíche no Departamento de Sociologia da Universidade do Porto, integra o coletivo Furtacor e o grupo de pesquisa Nuvem. Atua também como arte-educador e curador.
João Cóser (Vila Velha/Espírito Santo/Brasil, 1990) é artista queer e pesquisador. A sua prática atravessa a fotografia, o vídeo, a performance, a instalação, o objeto e a escrita poética, tomando o corpo como território simbólico, a memória como matéria e o gesto como dispositivo de escuta e criação partilhada. É doutorando em Artes pela Universidade Federal do Espírito Santo com estágio de doutoramento sanduíche no Departamento de Sociologia da Universidade do Porto, integra o coletivo Furtacor e o grupo de pesquisa Nuvem. Atua também como arte-educador e curador.
Banda Desenhada: Diásporas e Pensamentos Situados
Oficina II: 16 JUL 10h
Oficina II: 16 JUL 10h
Quem tem o direito de contar a sua própria história?
Durante séculos, a construção de narrativas foi privilégio de poucos. Publicar, ilustrar, fazer circular uma história eram actos reservados a quem detinha os meios, a língua e a legitimidade reconhecida pelas instituições. A banda desenhada sempre operou nas margens desse sistema e é precisamente aí que esta oficina se situa.
A partir de exercícios práticos e propostas abertas, cada participante desenvolverá uma narrativa própria, explorando desenho, ritmo, composição e relação entre imagens. A sessão parte do tema da alteridade e do encontro com o outro, utilizando a ficção e a criação visual como espaço de imaginação e de afirmação de vozes que o arquivo oficial sistematicamente ignorou.
Mediação:
Samuel Sanção é designer e ilustrador brasileiro, mestre em Ilustração, Edição e Impressão pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. A sua investigação artística e académica centra-se na representação do outro na ilustração, explorando questões de alteridade, identidade e construção visual de personagens e narrativas. Cria livros ilustrados, banda desenhada e conduz oficinas de ilustração para diferentes públicos.
Samuel Sanção é designer e ilustrador brasileiro, mestre em Ilustração, Edição e Impressão pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. A sua investigação artística e académica centra-se na representação do outro na ilustração, explorando questões de alteridade, identidade e construção visual de personagens e narrativas. Cria livros ilustrados, banda desenhada e conduz oficinas de ilustração para diferentes públicos.
Ilustração Botânica: Descolonizar as Plantas
Oficina III: 16 JUL 14h
Oficina III: 16 JUL 14h
A ilustração botânica nasceu como tecnologia colonial. Um instrumento visual que isolava a planta do seu território, apagava os seus nomes locais e a fixava numa prancha branca como acto de posse.
Nesta oficina, os participantes serão convidados a olhar as plantas do jardim da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto de um outro lugar. Não para as catalogar, mas para estabelecer relações com elas. Imaginar o que sentem, o que carregam, o que guardam. A partir desse encontro, cada participante desenvolverá imagens e narrativas próprias através de técnicas de impressão e de colagem partilhadas ao longo da prática.
Mediação:
Adônis Evangelista é designer de produto e investigador, natural da Bahia e radicado em Portugal. Mestre em Design Industrial e de Produto pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, desenvolve projetos que unem design, sustentabilidade e economia circular, transformando resíduos em materiais com novas possibilidades de uso. A natureza e a botânica são fontes constantes no seu trabalho, influenciando formas, processos e narrativas.
Adônis Evangelista é designer de produto e investigador, natural da Bahia e radicado em Portugal. Mestre em Design Industrial e de Produto pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, desenvolve projetos que unem design, sustentabilidade e economia circular, transformando resíduos em materiais com novas possibilidades de uso. A natureza e a botânica são fontes constantes no seu trabalho, influenciando formas, processos e narrativas.
Gráfica Insurgente: Zines, Colagens e Intervenção
Oficina IV: 17 JUL 10h
Oficina IV: 17 JUL 10h
Nesta oficina, os participantes criarão coletivamente um zine a partir de práticas manuais de colagem com materiais reciclados, como jornais, revistas e cartazes, combinadas com texturas feitas à mão. Inspirada pela tradição da imprensa marginal e pelo potencial disruptivo da publicação independente. A sessão convidará os participantes a construir uma linguagem gráfica partilhada e experimental.
Mediação:
Juliana Meira é pesquisadora e ilustradora, em fase de conclusão do mestrado em Ilustração, Edição e Impressão na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. A sua dissertação, Gráfica Insurgente, examina as dimensões políticas e estéticas da ilustração editorial na imprensa alternativa feminista no Brasil e em Portugal entre 1975 e 1985. Graduada em Comunicação Visual pela ESPM–Rio, tem apresentado o seu trabalho em congressos internacionais e a sua prática artística tem sido exibida em feiras de arte por toda a Europa.
Juliana Meira é pesquisadora e ilustradora, em fase de conclusão do mestrado em Ilustração, Edição e Impressão na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. A sua dissertação, Gráfica Insurgente, examina as dimensões políticas e estéticas da ilustração editorial na imprensa alternativa feminista no Brasil e em Portugal entre 1975 e 1985. Graduada em Comunicação Visual pela ESPM–Rio, tem apresentado o seu trabalho em congressos internacionais e a sua prática artística tem sido exibida em feiras de arte por toda a Europa.
Ciscar no Jardim: Desenho e Cartografia Coletiva
Oficina V: 17 JUL 14h
Oficina V: 17 JUL 14h
Ciscar é o gesto de quem raspa o chão à procura do que está enterrado. Uma prática de atenção ao território e ao que ele ainda pode oferecer. É uma prática de procura incessante.
Nesta oficina de encerramento, os participantes da Summer School e os membros do NIBA ocuparão o jardim da FBAUP como espaço de encontro e de fricção criativa. Partindo da ideia de que o território se regenera pelas relações que nele acontecem, a sessão propõe o desenho e o diálogo coletivo como ferramentas de escuta e de imaginação partilhada. O grupo construirá um mapa de experiências, desejos e futuros possíveis para o NIBA e para os corpos que o habitam.
Mediação:
NIBA - Núcleo de Imigrantes das Belas Artes do Porto
NIBA - Núcleo de Imigrantes das Belas Artes do Porto
Desde 2022, o NIBA promove ações que ampliam a diversidade cultural e do pensamento académico nas artes. O núcleo é composto por estudantes imigrantes dos ciclos de licenciatura, mestrado e doutoramento, em constante partilha de saberes e experiências.
O programa é gratuito e as vagas são limitadas. Podes inscrever-te em uma ou mais oficinas, de acordo com a tua disponibilidade e interesse.
As inscrições estão abertas até 10 de Julho 2026. Os participantes serão contactados por email até 13 de Julho de 2026.
A CISCA Summer School é aberta a artistas, estudantes, investigadores e a qualquer pessoa com interesse em práticas de ilustração crítica, independentemente de formação ou experiência prévia.
Mais informações:
ciscagem@gmail.com
@cisca.lab (Instagram)
ciscagem@gmail.com
@cisca.lab (Instagram)
Organização:
CISCA - Critical Illustration for Ecological Futures
CISCA - Critical Illustration for Ecological Futures
Coordenação: Bruno de Almeida
Supervisão Científica: Júlio Dolbeth e Paula Guerra
Comissão Científica: Bia Petrus, J.A. Túlio Filho, Marcela Pedersen, Melina Scheuermann
Supervisão Científica: Júlio Dolbeth e Paula Guerra
Comissão Científica: Bia Petrus, J.A. Túlio Filho, Marcela Pedersen, Melina Scheuermann